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PSICOLOGIA HOLISTICA E INTEGRATIVA, UMA PSICOLOGIA DESPERTALISTA

 

Publicado do Portal WebArtigos

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Como poderíamos num país pluriculturalista como o Brasil, achar-mos que os conceitos de psicologia aplicados ao paulistano serão os mesmos aplicados aos baianos?
Neste contexto é correto dizer que nos limites de um país com dimensões continentais como o Brasil, o que se aplica numa região pode ser, e é natural que seja, completamente diferente do que se aplica à outra, desse modo não deveríamos falar em Psicologia, mas sim em Psicologias e é exatamente aí que se faz presente, dentre tantas outras formas e aplicações da psicologia, a necessidade de criação de uma Psicologia Holística e Integrativa.
Pensar em uma Psicologia holística, integrativa, que reconheça a diversidade do ser humano em toda sua complexidade e promova Despertamento é o cumprimento do objetivo pelo qual a Psicologia enquanto área do saber sempre buscou, mas inebriada pelo desejo de se tornar ciência, foi se perdendo pelo caminho.
A inclusão do saber holístico, integrativo e complementar à Psicologia é não somente agregar valores incalculáveis ao saber psicológico, conforme intentara Jung com seus estudos sobre a cultura e filosofia oriental e tantos outros após ele, como também abrir uma vasta gama de possibilidades de trabalho ao profissional Psicólogo que em tudo se mostra apto ao desenvolvimento dessas práticas, exatamente por sua habilidade de lidar com a mente, com os sentimentos e os demais conteúdos subjetivos que conforme a filosofia holística integrativa são os grandes causadores dos males que assolam a humanidade, quer seja dadas as questões energéticas, como somáticas e comportamentais. E isto não nega a visão da Psicologia, ao contrário, corrobora e complementa.
Enfrentamos uma mudança de paradigmas e isso é sentido por todas as áreas, exigindo uma profunda revisão de valores por parte dos profissionais e pessoas envolvidas com a produção e promoção do saber. Neste sentido, atitudes autocráticas e posturas conservadoras só servem como entrave ao desenvolvimento pelo qual naturalmente a humanidade e consequentemente, a Psicologia se faz sujeita.
Neste aspecto ao invés de tentar-mos reprimir e conter o inevitável, deixando que as técnicas holísticas e integrativas sejam praticadas muitas vezes por pessoas despreparadas, deveríamos fazer o movimento inverso, empregando nosso precioso tempo em pesquisas e medidas que permitam aos profissionais Psicólogos uma maior formação dentro deste campo que o tornem aptos para utilização de métodos como florais, reiki, cromoterapia, cristaloterapia, aromaterapia e tantas outras técnicas igualmente maravilhosas e que cada qual a seu modo promovem relaxamento, equilíbrio e melhora da condição de saúde e qualidade de vida de seus praticantes.
Penso que como Psicólogo deveríamos ser diferentes, agir-mos diferente, pensar-mos diferente, estando verdadeiramente abertos às experiências e possibilidades vastas que a vida e natureza nos oferecem, combatendo o preconceito e entendendo que o foco maior de nossa atuação é a completude e a integralidade do ser humano, e para isso, não podemos, ou pelo menos não devemos negligenciar a necessidade ultima do ser humano de religação.
Religação com o si mesmo (seu self), religação com o outro, religação com a natureza, religação com o sagrado, pois afinal como sugeriu Nietzsche e, como sugerem as filosofias orientais que compõe a visão holística e integrativa, este (o sagrado) é parte inerente à vida e necessário para manutenção da condição de ser humano. 
Sobre este tema, não falo de religião, nem de dogmas ou doutrinas, falo de uma atitude de aceitar, experienciar, sentir e viver aquilo que não podemos explicar e que de algum modo é atribuído à figura de um Criador, quer seja ele compreendido como Deus, como Grande Arquiteto do Universo, como Consciência Cósmica ou qualquer outra especificação que julgar-mos cabíveis, mediante, aí sim, ao conjunto de nossos conhecimentos e opiniões.
Aceitar-mos aquilo que nos faz bem, ainda que os métodos sejam desconhecidos é aceitar o fato de que como seres humanos, ainda não temos capacidade intelectual de compreender e explicar a complexidade da vida humana e nossa odisséia na terra, de nossa inserção e papel no universo, das forças da natureza e das energias que interagem conosco. Mas, deveríamos ter a humildade e manter-mos sempre a certeza de que não ter-mos condições de compreender algo, não faz com que este algo deixe de existir ou se torne ineficiente/ineficaz.
O método científico é de extrema importância para a humanidade e para produção de saber. Se mostrou eficiente para explicar muita coisa e evidentemente que seu surgimento foi um grande ganho a este saber como todo, pois a partir dele a humanidade avançou a passos largos na estrada do conhecimento. Porém mesmo ele se mostra ineficiente em alguns aspectos. 
O fato é que ainda que esta impossibilidade científica de provar determinantes e variáveis hoje indexadas ao saber holístico e relegadas (erroneamente) à esfera do misticismo, seja uma condição temporária e que talvez, no futuro, a ciência avance rumo a estas respostas, estamos perdendo grandes oportunidades de viver-mos o hoje. 
Creio que muitos saibam que a partir da incapacidade da ciência em provar por seus métodos convencionais, sobretudo experiências na área da saúde, como por exemplo, a eficiência de um tratamento, surge o método “baseado em evidências” para suprir esta falha e preencher esta lacuna.
O Método Baseado em Evidências em tese deveria ser o método de trabalho de todo profissional que trabalha com o subjetivo, com o intocável, com o intangível, com o incomensurável: a mente humana, os sentimentos humanos, as atitudes humanas, o SER HUMANO (excetuando-se sua esfera biológica, pois esta pode ser facilmente calculada e avaliada através dos mecanismos científicos vigentes).
Estamos perdendo a grande oportunidade de termos nossas próprias experiências, de formular-mos nossa própria opinião, de através destas experiências contribuir com o saber global, com o avanço da humanidade e paralelamente beneficiarmo-nos e aos outros com toda a grandiosidade e beleza das terapias holísticas e integrativas.
A Psicologia não busca promover equilíbrio, auto-conhecimento, crescimento, evolução, saúde e completude?
E se é exatamente isso que as terapias holísticas e integrativas igualmente buscam promover, porque mantemos uma posição tão castradora com relação às mesmas?
Porque não buscamos a integração destes conceitos tão similares para a criação de uma Psicologia Holística e Integrativa?
Apenas porque tais conceitos foram formulados por culturas diferentes? Porque não foram testados dentro do nosso modelo cientifico/investigativo ocidental? Porque não foram reproduzidos em laboratório? Porque não tiveram seus resultados publicados em forma de artigos e expostos para a comunidade científica? Etc e etc...
Não seria isso a reprodução de um modelo autocêntrico e etnocêntrico que invalida, aniquila e limita a produção mundial do saber e ainda descredita e invalida todo conhecimento obtido por meio de experiências, muitas vezes de toda uma vida, ou mesmo de gerações?
Em minha formação de Psicólogo aprendi que esta atitude castradora era exatamente tudo que em tese a Psicologia prometia combater... prometia valorizar as experiências humanas, valorizar o ser humano, valorizar o saber/sabedoria deste ser humano.

Sendo assim, quando falamos de integrar a Psicologia às Terapias Holísticas e Integrativas temos um paradoxo.
Que não me deixa outra conclusão senão a de achar que há nesta questão um grande conflito de interesses.
Quer sejam estes interesses políticos e/ou econômicos que envolvem diversas outras classes da saúde no Brasil e que os representantes da Psicologia não estão interessados em se opor, talvez por comodismo, ou talvez por não saberem como faze-lo, mas é um fato que tem faltado interesse. 
Uma vez que centenas, senão milhares de Psicólogos pelo Brasil, estudam, pesquisam ou mesmo praticam pelo menos algumas destas técnicas, como pode os Conselhos manterem uma posição tão estática e estagnada sobre este assunto?
Ultimamente nem pode-se dizer que é por “falta de pesquisa” pois com uma rápida busca pela internet, encontrar-se-á dezenas de publicações de pesquisas realizadas por diversos profissionais e isso inclui Psicólogos que defenderam teses aplicando técnicas holísticas e integrativas com bons resultados.
Também não pode-se dizer que é por falta de formação profissional, pois a Sociedade Despertalista do Brasil, mantém um curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Terapias Integrativas e Complementares, por meio de convênio com a Universidade Castelo Branco, exatamente para capacitar profissionais da área de saúde, inclusive Psicólogos, a prática destas técnicas, de igual modo, outras instituições de ensino já oferecem este curso em diversos Estados Brasileiros.
Este é um movimento crescente que urge em ser avaliado com dedicação por parte dos representantes da Psicologia no Brasil, os Conselhos.
Contra a força não há resistência, este é um movimento de integração que mais cedo ou mais tarde vai acabar ocorrendo, até porque os Psicólogos conservadores um dia vão morrer, e ficarão aqueles deste “novo tempo” muitos dos quais, adeptos das práticas holísticas e integrativas e, assim sendo, porque deixar-mos para amanhã aquilo que podemos mudar hoje?
Enquanto os Conselhos e Conselheiros mantiverem este comportamento de negação, negligência e ou na pior das hipóteses, desinteresse, quem perde é a classe, ou seja, nós; Psicólogos, simpatizantes e partidários das Terapias Holísticas e Integrativas.
Que este texto promova reflexão sobre esta tendência integrativa e da necessidade de revisão de valores para a criação de uma Psicologia que integre em si à visão, os conteúdos e as técnicas ditas holísticas com ganhos incalculáveis, aos profissionais psicólogos, mas principalmente aos seres humanos, que poderão contar com mais ferramentas para alívio de seus males e sofrimentos.

 

 

David Jansen Pinheiro Pecis

Presidente da Sociedade Despertalista do Brasil