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O MEDO E OS FLORAIS DE BACH

 

“Os Deuses da tormenta e os gigantes da terra suspendem de repente o ódio da sua guerra e pasmam. Pelo vale onde se ascende aos céus surge um silêncio, e vai, da névoa ondeando os véus, primeiro um movimento e depois um assombro. Ladeiam-no, ao durar, os medos, ombro a ombro, e ao longe o rastro ruge em nuvens e clarões. Em baixo, onde a terra é, o pastor gela, e a flauta cai-lhe, e em êxtase vê, à luz de mil trovões, o céu abrir o abismo à alma do argonauta.”

Poema “Vasco da Gama” de Fernando Pessoa.


Não é de hoje que o medo assola a humanidade, ramificado, apresenta-se de diferentes formas. 
O medo é um arquétipo presente na dinâmica da personalidade humana, pode-se dizer que assim como os demais arquétipos, o medo é passado hereditariamente de pais para filhos pelo Inconsciente Coletivo, remetendo-se ao nosso primeiro ancestral comum. 
Nos primórdios da raça humana era o medo do escuro, o medo das feras, o medo das manifestações da natureza, vulcões, trovões, furacões, relâmpagos, terremotos, ou seja, medo do desconhecido, do que não se sabia explicar. 
Na idade média era o medo do purgatório, o medo do inferno, o medo da condenação, o medo das fogueiras da “santa” inquisição, medos que representavam um sintoma interno não manifesto, mas que estava latente na maioria das pessoas, o medo de pensar, o medo de ser diferente, o medo de expressar-se, o medo de se expor e se impor frente a situações que lhes causassem desagrado. De certo modo este medo também era caracterizado pela falta de conhecimento, pois, por desconhecer as escrituras, por não compreender nenhuma palavra falada nas missas em latim, restava acreditar em tudo que a igreja dissesse e, sendo assim, o sacerdote pregava a existência do inferno, um lugar terrível, onde o fogo nunca se apaga e as almas queimam por toda a eternidade, os leigos temiam, amedrontavam-se e faziam qualquer coisa para que suas almas não fossem parar lá. 
No começo do século XX, a psicanálise era ainda mais cartesiana que nos dias atuais, importava-se muito com a doença, suas causas e o local físico onde ela se manifestava. Neste mesmo período, observou-se um crescente número de pessoas saudáveis procurando consultórios de psicanalistas alegando ansiedade, medo, depressão e outros, estes não conseguiam identificar nenhuma doença psicológica que causasse os sintomas e por isso não sabiam bem o que fazer, foi então que um grupo de psicólogos e filósofos como Nietzsche, Kierkegard, Heidegger e outros, atentos a este movimento definiram a sintomatologia como “angústia existencial”. Surgia assim o existencialismo. 
Um dos pontos estudados a fundo pelo existencialismo é o medo. O medo do porvir, o medo de fazer escolhas. Uma forma de medo que se faz tão antiga quanto à própria humanidade, é o medo do desconhecido, causado pelas incertezas do futuro. Este medo trás consigo a ansiedade e a angústia, desespero e depressão. 
Para Heidegger “a responsabilidade é a fonte do medo e da angústia que persegue a espécie humana, essa angústia leva ao confronto do indivíduo com a impossibilidade de encontrar justificativas para as escolhas deve fazer”. 
Certo ou não, fato é que o medo está presente em todos nós, sem exceção. Uns sentem mais, outros menos, mas todos os seres humanos (arrisco dizer até que todos os seres vivos) sentem medo em um dado momento. 
Hoje, a luz do século XXI as causas mudaram, mas os medos continuam sendo os mesmos. Com uma humanidade cada vez mais globalizada e capitalista, as pessoas têm que produzir mais, comprar mais, são mais cobradas, precisam ser mais ágeis, devem aprender e estudar cada vez mais porque a sociedade os cobra mais, além disso, devem cumprir com suas responsabilidades de pais, mães, maridos, esposas, avôs, avós, verdadeiros super-homens e super-mulheres, negligenciando muitas das vezes ao laser, a qualidade do tempo que dedica as suas famílias e a própria saúde. 
Vivendo nesse ritmo acelerado sem poder ter certeza do que será da sua vida amanhã, sem ter certeza se ainda estarão empregados, se conseguirão pagar as contas, se vão conseguir dar o melhor para os seus filhos, se vão conquistar um bom padrão social, se vão conseguir comprar ou trocar de carro, reformar a casa ou simplesmente comprar presentes de natal para os filhos, não percebem que a raiz dos seus medos é o mesmo que assolava nosso ancestral primata, ou os medievais, o medo provocado pelas incertezas do porvir, o medo do desconhecido. 
Mas, até que de certa forma o medo tem um aspecto positivo e sem sombra de dúvidas é extremamente necessário para a preservação do corpo e para manutenção da espécie. Fisiologicamente falando, o medo faz parte do nosso sistema de alerta que ativa o SNA (Sistema Nervoso Autônomo) prepara-nos para agir em situações de risco, enfrentando ou correndo da situação (mecanismo conhecido como luta ou fuga). 
O grande problema é quando o medo começa a sair do controle, a causar sofrimento e a prejudicar o curso natural da vida. Estima-se que cerca de 20% dos brasileiros, algo em torno de 30 milhões de pessoas, sofram de transtornos fóbicos e/ou ansiosos. 
As psicodesarmonias relacionadas ao medo, agorafobia, pânico e outras, além de alterarem a rotina de vida do indivíduo podem levar a tristeza profunda e ao suicídio, que tem seus índices significativamente aumentados nestes tempos de crise. Crise esta que não é nenhuma novidade, muitos brasileiros, africanos e outros cidadãos de países subdesenvolvidos vem convivendo com a fome, a miséria, a desnutrição, a falta habitação, de saneamento básico, de saúde, de educação há anos, o mundo todo sabe, poucos querem ver e quase ninguém se manifesta. 
Os Florais de Bach se apresentam como alternativa eficaz para o tratamento desses transtornos ocasionados pelo medo descontrolado. 
Edward Bach estudou a fundo diversas flores, catalogando-as, realizando experimentos que o permitiram descobrir seus “princípios ativos” e suas aplicabilidades em desequilíbrios de cunho emocional, criando um sistema de remédios com base nestas flores, conhecido como Sistema Floral de Bach, sintetizando 38 essências divididas em 7 grupos. 
Dentre os sete grupos, o que mais se relaciona com este artigo é o grupo 4 “dos que sentem medo”. Composto pelas seguintes essências: Rock Rose: emergências graves, susto, pânico, terror; Mimulus: medo e temores de coisas conhecidas como da dor, do escuro, da pobreza; Cherry Plum: medo de perder o controle e machucar (no sentido real e/ou figurado) alguém ou a si mesmo; Red Chesnut: preocupação excessiva pelos outros, medo de que aconteçam desgraças às pessoas que ama; Aspen: medos vagos e indefinidos, sem explicação, ansiedade, apreensão, maus pressentimentos. 
O medo faz parte da sintomatologia de diversos distúrbios psíquicos e pode ser a causa de somatização de outras tantas, o tratamento adequado deste, pode concorrer para uma melhora substancial da saúde e da qualidade de vida destes indivíduos que sofrem com seus medos. 
Vale ressaltar aqui que florais não são elixires alquímicos, feitiçaria nem muito menos água com açúcar, são remédios manipulados por farmácias muitas das vezes conceituadas e não podem ser reduzidos a meros placebos. 
Florais são produtos 100% naturais, não possuindo nenhuma contra-indicação, todavia, sua ministração deve ser feita por profissional devidamente qualificado, afinal um processo terapêutico não consiste apenas na indicação de um dado remédio, mas sim na vivência da terapia em si, na troca e principalmente, é fruto do relacionamento que nasce da relação cliente-terapeuta, o que não poderia ser feito por qualquer pessoa que desconheça as técnicas terapêuticas. 
Uma terapia mal feita pode ter reações tão desastrosas quanto à indicação errada de um remédio.

 

David Jansen Pinheiro Pecis

Presidente da Sociedade Despertalista do Brasil